A história de Arthur Fleck, protagonizada por Joaquin Phoenix vem sem dúvidas para gerar uma inquietude no cinema. O filme se passa em Gotham City, desenhada pelo final da década de 70, e início de 80, quando a população vivia um completo caos social e político.

Trabalhando de dia como palhaço, e sendo cuidador de sua mãe (Frances Conroy) à noite, Arthur possui transtornos psicológicos que através de sua atuação, conseguem ultrapassar a tela e atingir inteiramente o público. Tentando se adequar na sociedade como uma pessoa “normal” com o objetivo de se tornar comediante, o palhaço se afunila para um caminho transtornado, após viver diversas situações constrangedoras, violentas e tristes.

É impossível não começar esse parágrafo tecendo elogios para Joaquin Phoenix. Com uma interpretação inexplicável, o ator entrega um trabalho que atende as expectativas geradas para o público. Com uma construção de personagem visceral, sentimental e inquieta, Coringa cria uma linha que faz você ficar completamente hipnotizado do início até o fim, ficando extremamente curioso e inquieto pra acompanhar todo o desenrolar da história.

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Joaquin Pheonix em cena do filme ‘Coringa” Reprodução: Warner

Mesmo com o trailer mostrando as variadas facetas do personagem, ainda assim está longe do que o filme pode proporcionar, e sobre o que ele realmente tem a passar. Não é aquela obra baseada em ações de um super herói, que alguns fãs da DC Comics estão acostumados a ver.

A narrativa tem o objetivo de contar a história de um coringa, um pouco distante daquele famoso canastra que constrói planos “cômicos” para destruir o Batman. A verdade é que você precisa ir despido de toda essa imagem, pra entender a vida de Arthur Fleck.

Com uma abordagem psicológica pesada, o filme conta com alguns gatilhos mentais que são considerados um tanto quanto perigosos. Porém, são fundamentais para construir uma trajetória emocional do personagem do inicio até o final da trama, e também para mostrar o porquê das suas relações inquietas e as atitudes violentas. Não é que o objetivo seja levar isso para o público como uma inspiração positiva, a função é que elas entendam o por trás daquele vilão cômico que ri existe uma criatura triste, frágil e frustrante.

No inicio da trama, Arthur tenta conviver com seus transtornos, indo a consulta com a terapeuta, que o abandona logo depois. Ele tenta mostrar o quanto está pior do que de todas as outras vezes que ela o viu, mesmo que em alguns momentos a sua fala não seja totalmente clara de seus sentimentos, a o olhar vazio, e as reações corporais que o ator coloca no personagem, consegue ser todo o complemento de sua fala, entregando antes do texto, o seu estado de espírito. É como se conseguíssemos olhar pra ele, e imaginar instantaneamente, tudo o que está sentindo. Não é atoa, que as especulações de que Joaquin Phoenix merece ganhar o Oscar só aumentam.

O personagem também faz uma crítica a felicidade artificial que algumas pessoas tem. O fato delas quererem mostrar o tempo inteiro que estão felizes. A risada do Coringa é algo agoniante, que não vem de forna cômica e sim de um sentimento triste é involuntário. Em entrevistas, Joaquin disse que a risada foi inspirada em um transtorno patológico, o que trás mais realismo a toda obra.

A trilha sonora e os efeitos especias tem um peso enorme em toda obra. Além de serem impecáveis, eles complementam todas as ações do personagem, tornando as cenas mais fortes e viscerais. Por isso, podemos dizer que todo o filme é uma obra como visceral, por ser um conjunto de interpretação, cenas bem sombrias, caracterização bem fria e efeitos sonoros que são a cereja do bolo.

É preciso muito mais do que 1h e 40m para entender e absorver tudo que “Coringa” quer passar. Não há dúvidas de que esse filme vai te deixar reflexivo ao sair da sala de cinema.

Com a direção de Todd Phillips, o longa tem no elenco Robert De Niro e Bradley Cooper como um dos produtores. O longa estreia no Brasil em 3 de outubro.

Assista o trailer:

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