Eis que acordamos nessa manhã do dia 3/1 com a notícia de que Pabllo Vittar e Anitta serão algumas das atrações de um dos (se não o mais famoso) festivais do mundo: O Coachella Festival.

Em palcos que já passaram artistas como Ariana Grande, Beyoncé, Lady Gaga, The Weeknd e muitos outros terá duas atrações brasileiras, sem convite de colaboração com outras bandas ou cantores internacionais.

Mas por que a presença de Pabllo Vittar nesse festival é tão importante? É pelo simples fato de ser uma brasileira fazendo sucesso em um dos países mais imperalistas do mundo? Já tivemos ícones reconhecidos mundialmente antes como Xuxa e Carmem MirandaPor que toda essa comoção?

Nem vou falar pelo simples fato de Pabllo ser gay, afeminado, Drag Queen e nordestina num país onde temos Jair Bolsonaro como presidente e Damares como ministra tentando sexualizar desenhos infantis, e sim, a brasilidade que a drag trás em suas músicas.

Pabllo no red carpet do EMA 2019 com roupa em prostesto as manchas de oleo nas praias do nordeste. Reprodução: Getty Images

Vamos parar para analisar o contexto um pouco? Pabllo vem de uma região nordestina, completamente rica em cultura e completamente ignorada pela prepotência dos estados do sudeste e do sul. Desde o ínício de sua carreira, a drag tem mostrado em suas músicas um ritmo voltado para sua cultura, com elementos de forró e axé.

O sucesso veio com “K.O.” e “Todo dia”, que tinham exatamente a mesma pegada – e ainda sim, Pabllo não mudou a instrumentalidade de suas musicas para ficar mais comercial, tivemos o álbum que mostrasse exatamente de onde ela veio: “Não Para Não”.

Pabllo Vittar no clipe de K.O. Reprodução; Youtube

Os burburinhos de carreia internacional começaram ai, Pabllo abriu portas para diversos outros nomes que passaram até visibilidade na música fora do meio LGBTQ+ como Gloria Groove, Lia Clark, Kaya Conky e Linn da Quebrada. Foi então que ”Flash Pose” com a participação de Charli XCX deu um aspecto diferente ao que esperávamos dela.

Com o sucesso massivo de “Amor de Que”, – uma música com pegada incrivelmente nordestina, a expectativa de que a segunda parte do 111 – Que será lançado esse ano, tenha essa mesma riqueza sonora.

Em conclusão: Pabllo Vittar é um produto ricamente brasileiro, que não foi preciso se modificar para chegar ao sucesso. Uma voz que vem de uma região que foi ignorada por décadas, que agora tem uma grande visibilidade. É um tapa na cara de qualquer outro cantor fabricado pelas regiões massivas do sudeste, ou do sertanejo repetitivo do centro oeste, que agora será vendido para o mundo.

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