Em novembro do ano passado, a drag queen mais seguida do mundo lançou nas plataformas digitais a primeira parte do álbum “111”, sucessor do tão bem recebido “Não Para Não”, que daria início a ingressão de Pabllo Vittar no mercado internacional da música, já que a mesma estava sendo convidada para realizar eventos na Europa e nos Estados Unidos.

A proposta do álbum era simples e inovadora: mostrar que Pabllo poderia cantar em outras línguas e se adaptar em outros ritmos, sem perder a originalidade e a brasilidade de seu estilo – vendendo um produto originalmente brasileiro para o exterior.

A primeira parte do álbum mostra bem o quanto essa estratégia foi bem pensada, tivemos “Flash Pose” com Charli XCX, que mostrava o dom que Pabllo tem para o inglês, com batidas de House e eletrônico – a música sem dúvida foi um cargo chefe em sua performance no EMA do ano passado.

Pabllo e Charli XCX em Flash Pose – Youtube/Reprodução

Logo em seguida tivemos “Parabéns” e “Amor de Que” que mostravam exatamente suas origens, com sonoridades parecidas dos seus álbuns anteriores. Músicas que deram certo e foram grandes hits do carnaval desse ano – Pabllo Vittar convidada para o Coachella, seria o auge dessa estratégia internacional.

Infelizmente o álbum se perdeu no meio do caminho. “Ponte Perra” que tinha um grande potencial de mostrar o talento da drag em espanhol foi deixada de lado e a segunda parte do álbum já estava começando a aparecer com o single com Jerry Smith.

“Clima Quente” trouxe um clipe bem produzido, patrocinado pela Coca-Cola com a junção de dois artistas de públicos diferentes – a proposta era boa, mas não vingou. A música lancada um dia antes do inicio do carnaval rapidamente foi abafada pelas comemorações e pela proporção que “Amor de Que” tomou naquela semana.

Thalia e Pabllo Vittar em “Timida” – Youtube/Reprodução

Logo em seguida temos Pabllo Vittar e Thalia, um feat que o público LGBTQA+ iria ao delírio. Looks bonitos, clipe bem produzido, a junção de duas estrelas de seus respectivos países – mas é só isso. Comercialmente falando, o mercado latino tem se mostrado adepto ao reaggeton num estilo mais puxado para o rap, em artistas como Bad Bunny e Cardi B. Infelizmente, a sonoridade de “Timída” é semelhante ao estilo que o Maluma adotava em 2016.

“Lovezinho” traz um ritmo bregafunk, muito típico no Nordeste traz a brasilidade de nessa segunda parte do álbum, junto com a participação de Ivete Sangalo – O que pode ter a mesma força de “Parabéns” nos charts brasileiros. Junto com Psirico e Charli XCX, temos um acerto de 3/5 nas colaborações do álbum.

Salvage é traz um estilo muito presente na música pop atual: um groove bem típico, presente no Future Nostalgia de Dua Lipa. Talvez seja a salvação das faixas em espanhol do álbum, se ganhar um bom clipe como divulgação.

Rajadão: A mais diferente música que a Pabllo já produziu, mas a pergunta que fica é: alguém entendeu a letra?

Pabllo Vittar em fotos de divulgação do 111 – Instagram/Reprodução

Em conclusão geral, o 111 é uma ótima estratégia de divulgação de Pabllo, mas que poderia ter tido mais força com faixas mais bem pensadas: incluindo “Tímida” e “Clima Quente”. Quem acompanha o trabalho impecável de Pabllo Vittar em seus dois primeiros álbuns: “Vai Passar Mal” e “Não Para Não”, vai ficar um pouco decepcionado com o “111”.

O “111” está disponível em todas as plataformas digitais.

NOTA: 7/10

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s