A nova versão da lenda de Candyman chega aos cinemas com muito mistério e choque. Completamente uma divergência no meio de filmes slasher, onde o assassino é a reencarnação da revolta de atitudes injustas feita pela polícia contra o povo negro.

Os moradores lembram-se, desde sempre, que os conjuntos habitacionais do bairro Cabrini-Green, de Chicago, eram aterrorizados por uma popular história de fantasma – um assassino sobrenatural com um gancho no lugar da mão, que podia ser invocado por quem quer que ousasse repetir seu nome cinco vezes em frente a um espelho.

Nos dias atuais, uma década após a última das torres Cabrini ser derrubada, o artista visual Anthony McCoy (o vencedor do Emmy, Yahya Abdul-Mateen II, de Watchmen, Nós), e sua parceira, galerista de arte, Brianna Cartwright (Teyonah Parris, de WandaVision, Se a Rua Beale Falasse), mudam-se para um condomínio de lofts de luxo em Cabrini, agora gentrificado, remodelado, com prédios modernos habitados por millennials conectados ao mundo por seus onipresentes celulares.

Com a carreira à beira da estagnação, num encontro casual com um velho morador de Cabrini-Green (Colman Domingo, de Zola, A Voz Suprema do Blues, Se a Rua Beale Falasse), Anthony descobre a terrível história verdadeira por trás da lenda de Candyman. Ansioso para manter seu status no mundo da arte de Chicago, e estimulado por seu agente e marchand, Anthony começa a pesquisar os detalhes macabros da lenda urbana em seu estúdio para se inspirar para uma nova coleção de pinturas. Sem saber, ele abre uma porta para um intrincado passado que desafia sua própria sanidade e desencadeia uma onda aterrorizante de violência, colocando-o em rota de colisão com o destino.

Universal Pictures/Divulgação

Esse filme não poderia ter um retorno tão positivo se Jordan Peele não tivesse envolvido. Sua química com Nia DaCosta é entregue em pequenos detalhes em termos de filmagem e desenvolvimento. O crescimento de Tony na trama é longo e surpreendente quando seus pensamentos são postos a prova ao seu primeiro contato com o homem dos doces. Yahya Abdul-Mateen II foi uma das coisas que me surpreendeu, o potencial do ator é entregue desde o inicio, seu protagonismo é precioso mesmo achando que quem rouba a cena em muitos momentos é Teyonah Perris, interprete de Brianna, namorada de Tony.

Confesso que toda a divulgação do medo em torno do Candyman não me despertou a sensação de um filme de terror amedrontador como foi entregue, o medo foi se instalando a medida que as descobertas de Tony eram apresentadas, e esse medo foi real. O que assusta em “A Lenda de Candyman” é a proximidade. Mas nada foi mais pesado que o plot twist na trama, as origens do homem dos doces, ou o próprio bicho papão do bairro negro, foram questões sociais que não podem deixar de serem associadas com a atualidade. Seu ritual de nascimento é de um peso inesperado, espalhando associação com a realidade e grandeza no personagem que acredito que muitos não tinham conhecimento, mas que merece destaque no Hall Da Fama do Terror.

Por mais que não seja completamente necessário, recomendo que assistam o longa de 1992, “O Mistério de Candyman”, pois algumas cenas fazem referencia direta a alguns momentos do primeiro filme e também a eventos inesquecíveis recentes ocorridos no Estados Unidos. “A Lenda de Candyman” é um soco no estomago, um completo absurdo, inclusivo, direto e destemido a contar historias delicadas e algumas inacreditáveis. Com certeza um dos meus filmes favoritos do ano.

NOTA: 9

o filme chega no dia 26 de agosto aos cinemas, Confira o trailer:

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